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90 anos e 92 descendentes: conheça a biografia do pioneiro rinopolense José Alves Filho

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Especial Dia dos Pais: conheça a história do patriarca da família Alves, que teve, no total, 24 filhos, 39 netos e 29 bisnetos em seus dois casamentos

Ter uma vida longa não é para qualquer um. Recheada com 92 descendentes então, é para poucos. Isso mesmo, mais de nove dezenas de descendentes. Esta é a família de José Alves Filho, baiano de nascimento e rinopolense de coração.
Neste domingo, 9, comemora-se internacionalmente o Dia dos Pais e o Jornal Cidade Aberta (JCA), por mais que tenha migrado suas páginas impressas para um formato digital (www.jornalcidadeaberta. com.br), fez questão de voltar às origens do papel impresso para trazer para o Dia dos Pais uma edição especial reportando a história de um verdadeiro patriarca que, para a tristeza de muitos, findou sua vida terrena no último dia 15 de julho.
Em outras duas oportunidades, novembro de 2014 e em agosto de 2015, o JCA reportou parte da trajetória desse pioneiro rinopolense.
Seu Zé, como era popularmente conhecido, teve em sua vida uma família ampla. Cheio de histórias para contar, seu conto preferido era relatar com orgulho, a quem quer que fosse, a imensidão da árvore genealógica gerada a partir dele.
Filho de agricultores e natural de Livramento do Brumado (BA), seu Zé nunca teve a oportunidade de estudar. Um dia, quando já era maior de idade, um tio seu o convidou para ir a uma igreja evangélica, onde essa era conhecida pela doutrina onde as mulheres cobriam suas cabeças com o véu (na época, Congregação Cristã do Brasil – hoje, Congregação Cristã no Brasil). Após o culto, seu tio o questionou se ele havia gostado, algo que, prontamente, seu Zé respondeu que sim, mas que nunca mais voltaria ali. Intrigado, seu tio questionou o porquê, foi então que seu Zé respondeu: “eu achei muito bonito todos cantando no hinário e lendo a bíblia, mas eu não sei ler, então não posso continuar indo lá”.
Seu tio, apegado à fé, lhe respondeu que Deus poderia lhe dar leitura, bastava a ele pedir e crer. Naquela noite, seu Zé não dormiu. Ficou com a bíblia em suas mãos pedindo que Deus lhe desse leitura, milagre esse que seu Zé alcançou. Sem nunca ter ido à escola, seu Zé, na época com cerca de 18 anos de idade, aprendeu a ler com a bíblia. Resultado: voltou à igreja e lá fincou seus pés até o último dia de sua vida.
Seu Zé se casou em 1952 com sua prima Maria dos Santos. Na época, ele com 20 anos e ela com 13.
Porém, a vida, a partir de então, não só foi colorida com o vermelho da paixão, mas também pintada com o preto do luto. Seus primeiros filhos não sobreviveram às duras dificuldades financeiras e ao difícil acesso à saúde pública na década de 1950. Ao todo, oito de seus primeiros filhos faleceram sem ao menos atingir seus dez anos de idade.
Mas, se por um lado a vida lhe levou oito, por outro lhe presenteou com mais 13 (Marina, Lia, Rute, Nair, Nete, Edna, Silvano, Silvia, Ismael, Iara, Gilmara, Geiza e Gisele). Seus 13 filhos lhe deram 34 netos (Daise, Ninah, Karen, Roberlei, Denise, Robson, Abidiel, Alessandro, Roner, Daiane, Cléber, Cláudia, Elen, Micael, Gabriel, Cristiane, Cleiton, Midiã, Monise, Jean Lucas, Patrícia, Marcelo, Felipe, Renan, Lucas, Mateus, Mirian, Osmar Júnior, Gislaine, André, Monique, Murilo, Márcio Júnior e Vitor). Dos netos vieram mais 29 bisnetos (Rafael, Gabriel Augusto, Otavio, Ana Clara, Isabela, Jennifer, Davi, Lucas, Davi Eduardo, Angelina Isabel, Arthur, Isabela, Julia, Lívia, Leonardo, Polyana, Sofia, João Pedro, Julia, Ana Clara, Ana Carolina, Gabriel, Lívia, Bianca, Maria Carolina, Sophia Antonella, Luna, Cecília e Ana Clara).
Em 1983 a vida lhe pregou outra peça, talvez a mais cruel de todas: sua esposa, Maria dos Santos, faleceu aos 45 anos de idade, vítima de um câncer de útero. Seu Zé, valente e trabalhador, viveu ali uma dor inconsolável, mas, como sempre, não deixou que o desânimo o dominasse. Com filhos pequenos para criar, seu Zé optou por casar-se novamente e ter uma nova companheira que o ajudasse a criar seus filhos.
Essa nova companheira veio ainda em 1983, quando ele conheceu Maria Callamari, com quem se casou e teve mais três filhos (Wesley, Suelen e Daniela). Somados aos 21 filhos do primeiro casamento, seu Zé teve um total de 24 filhos. Seu segundo casamento ainda lhe rendeu mais cinco netos (Paulo, Maria Paula, José Igor, Gustavo e Ravi) que, somados aos 34 do primeiro casamento, totalizam 39 netos.
“Pra que ter tanto [filhos] assim, né? [risos] Mas eu criei todos com muito amor, com muito cuidado e atenção. Esse é o segredo e esse é o conselho aos pais jovens de hoje”, orientou o pioneiro rinopolense em entrevista dada em 2015 ao JCA.
Seu Zé trabalhou muito em sua vida, sendo exemplo de honestidade, caráter e respeito. De agricultor à “matador de porco”; de “matador de porco” à feirante; de feirante à vendedor ambulante de hortifrúti; de vendedor ambulante de hortifrúti à sorveteiro. Em 2018, durante as celebrações do aniversário da cidade de Rinópolis, o prefeito José Ferreira de Oliveira Neto (PSDB), o conferiu em praça pública uma placa de “homenagem e gratidão, ao comerciante que tanto se dedicou e contribuiu para o desenvolvimento de nossa querida cidade (trecho extraído da placa)”.
Homenagem essa muito justa, diga-se de passagem, já que seu Zé, por mais que tenha nascido na Bahia, viveu a maior parte da sua vida em Rinópolis, bem como todos os seus filhos, em um momento ou outro da vida, também residiram no município (sendo que seis deles continuam a residir na cidade).
Na madrugada do último dia 15 de julho seu Zé veio a óbito por insuficiência cardíaca. Seu coração, já cansado pelas mais de nove décadas de funcionamento, deixou de bater. A maneira como seu Zé “descansou” está no topo do ranking das melhores formas para se despedir dessa terra: morrer de velhice. Seus últimos dias não foi doente sobre uma cama. Ao contrário, seu Zé morreu lúcido e farto de dias.
Para a família Alves, por certo esse Dia dos Pais será bem diferente dos vividos nas últimas décadas devido à ausência de seu Zé, que será sempre lembrado por todos como exemplo de es-poso, pai, avô e bisavô.

 

 

(Essa reportagem também está sendo publicada em uma edição impressa especial do Dia dos Pais, com data de hoje, 7 de agosto de 2020 – entregue gratuitamente nos comércios de Osvaldo Cruz, Sagres e Rinópolis)

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