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Dono de jornal que teve sede incendiada relata ameaças por defender medidas restritivas: ‘Jamais acreditei que isso fosse acontecer’

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O dono do jornal que teve a sede incendiada em Olímpia (SP), na madrugada desta quarta-feira (17), relatou que há dias vem sofrendo ameaças nas redes sociais por defender a imposição de medidas restritivas para combater o coronavírus. A cidade contabiliza 5.693 casos positivos e 124 mortes pela Covid-19, e segue as regras da fase emergencial do Plano São Paulo.

Além da sede do jornal Folha da Região, onde também funcionam o site IFolha e a Rádio Cidade FM, as chamas atingiram a porta da casa de José Antônio Arantes. Ele registrou boletim de ocorrência para a Polícia Civil apurar o caso.
“Estavam querendo me calar. Aqui em Olímpia existe o gabinete do ódio que defende as mesmas teorias do gabinete do ódio de Brasília. Isso faz com que repensemos nossa função e a importância de um jornalista nesse momento”, diz.
Atuando na profissão desde a época da Ditadura Militar, o jornalista afirma que é favorável às medidas restritivas para combater a pandemia e publica diversas reportagens sobre o assunto.
“Há uma semana, dois advogados representaram ao Ministério Público um comerciante e um outro advogado que estavam divulgando na internet uma carta sugerindo uma insubordinação civil. Nós soltamos uma reportagem sobre isso. A partir daí, começou uma campanha violenta contra a rádio e o jornal para os comerciantes cortarem os anúncios. Venho defendendo as medidas de contenção desde o começo da pandemia”, afirma.
José conta que começou ser alvo de ameaças e xingamentos por conta do assunto. Em seguida, o genro do jornalista passou por momentos complicados ao viajar para buscar jornais da Folha da Região.
“Durante a viagem, um veículo quase encostou no carro e tentava jogar meu genro para fora da rodovia. Pensei que tivesse sido algum doido”, conta.
“No domingo, fui caminhar com minha mãe e encontrei o pneu furado. Pensei que tivesse passado em alguma coisa. Porém, meu genro se abaixou para trocar o pneu e descobriu que os parafusos de todas as rodas tinham sido afrouxadas”, complementa.
Além disso, após José fazer um programa de rádio, inúmeras pessoas começaram a fazer comentários menosprezando a pandemia e xingando o jornalista.
“Teve mais de 200 comentários de pessoas me xingando. Passamos mais tempo excluindo os comentários do que fazendo o programa. Não tenho certeza se são ‘bolsomions’ e negacionistas de Olímpia, mas acredito que sim”, diz.
Dois dias depois de fazer o programa de rádio e receber ameaças, a sede do jornal foi atingida pelo incêndio.
“Rezo para que a pessoa que colocou fogo tenha alguma coisa pessoal contra meu trabalho. Espero que não seja uma coisa política. Se for política, demostra que estamos entrando em um momento gravíssimo. Colocar fogo em um jornal só tinha visto na ditadura”, complementa.
O jornalista relata que se assustou quando viu as chamas pelo prédio.
“Tenho um imóvel que é um sobrado. Em cima, fica minha residência. Embaixo, ficam o jornal e uma rádio comunitária, onde faço um programa que é transmitido na internet. Vi um vídeo assustador. O delegado não quis compartilhar, mas o cara desce da moto com um galão de gasolina, joga o líquido de baixo da porta, coloca o galão na porta do jornal e ateia fogo”, complementa.
José diz que a mulher e a neta acordaram por conta da fumaça e dos latidos dos cachorros de estimação. Em seguida, desceram a escada e se depararam com as chamas.
Desesperados, a mulher e o jornalista começaram a jogar água para controlar o incêndio.
“Se eu demoro mais um minuto minha neta estaria sufocada. Eu não conseguia respirar, mas peguei uma máscara e melhorou. Minha mulher pegou uma toalha molhada. As chamas vieram para cima dela”, afirma.
Depois de controlar as labaredas, José ligou para a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. As duas corporações comparecem ao local da ocorrência.
“Eu acredito que o cara que ateou o fogo não foi o mandante. Comecei a escrever na época da ditadura, com 14 anos de idade. Jamais acreditei que isso fosse acontecer aqui”, conta.
Fonte: G1
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